Corpo e Conforto a Espinha dorsal

Quando Laura e Sandro Caramaschi nos procuraram o primeiro pedido foi: “uma clínica sem cara de clínica, um local para prevenção e tratamento do corpo proporcionando conforto, sem ser academia nem SPA.” O espaço que comporte um grupo de atividades como Fisioterapia, RPG, Pilates, Acupuntura, Personal Trainer, Nutrição e Endocrinologia, consideradas essenciais para gerar um corpo saudável e qualidade de vida.

Com a missão de criar uma edificação que deveria aplicar um novo conceito de saúde, onde a identificação com qualquer padrão existente poderia ser prejudicial, os arquitetos Marcelo Teixeira e Ana Fidalgo estabeleceram como critério selecionar o elemento pertinente: a relação corpo corpo e conforto e proporcioná-la também na construção.

Sabíamos da necessidade de transmitir inovação e contemporaneidade, pois tratava-se, nesse caso, de um empreendimento “comercial” e a Arquitetura deveria informar ao público em geral o conceito da Corporal Line. Não adiantava ter discurso atual e inovador no tratamento e não demonstrar no espaço. Trabalhar elementos como telhado, materiais rústicos ou orgânicos como tijolinho e madeira, foram intensamente debatidos a fim de focar sempre na imagem a ser apresentada ao público visitante e, portanto, afastar qualquer símbolo que interfira nessa interpretação.

Também sempre em pauta foi a flexibilidade, permitindo a incorporação de novas especialidades no futuro pela Corporal Line; o conforto ambiental, considerando o clima bastante quente e seco de Bauru, a funcionalidade, tanto corporativa quanto “hospitalar” facilitando o “modus-operandi” e a circulação dos profissionais e pacientes.

Para atingir a flexibilidade desenvolvemos espaços de dimensões generosas e formas com ângulo reto. O conforto ambiental influenciou desde a escolha dos lotes bem como a maneira de setorizar os ambientes sendo: recepção com amplos vãos para o Sul, salas para Nordeste com insolação apenas pela manhã e com aberturas restritas para o Noroeste. O pé-direito triplo da recepção também colabora para a diminuição do calor desse espaço. A circulação, por sua vez, procurou separar serviços internos do atendimento e ambos da área pública. A ambientação tratou de atender o pedido de Laura e Sandro, diminuir o aspecto inóspito de ambientes de saúde sem cair no ambiente zen.

O processo projetual se mostrou muito interessante e inusitado. Sendo o primeiro empreendimento de fato do casal, as questões arquitetônicas percorreram além da Arquitetura e da Saúde, como seria esperado, passando por marketing, administração e recursos humanos, sendo um grande aprendizado para todos.